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VIVER O TEMPO NOVO DA MISERICÓRDIA COM SANTA ROSA


Pascom | 27 julho, 2016

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Desde a abertura do Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia em dezembro do ano passado, têm surgido muitas reflexões e ações pastorais a fim de redescobrirmos este ponto chave da revelação cristã: a misericórdia. Ao longo do seu ministério, Jesus de Nazaré demonstrou concretamente a face misericordiosa do Pai. Sua presença e sua postura junto aos que mais necessitavam preenchem as páginas dos evangelhos, e parábolas como a do bom samaritano (cf. Lc 10,25-37) e a do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32) nos dão a tônica de sua mensagem. No mesmo evangelho de Lucas, escutamos do próprio Jesus: “sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (6,36). A história do cristianismo nos mostra o quanto homens e mulheres comprometidos com Jesus Cristo souberam colocar em prática este seu preceito. Foram santos e santas, muitos anônimos, mas também outros tantos cuja tradição conservou a memória.
Assim, queremos recordar o testemunho de fé de nossa padroeira, Santa Rosa de Lima (1586-1617). Esta jovem peruana discerniu desde cedo que dedicaria sua vida ao serviço a Jesus e a sua Igreja. Ao passo que ia aprofundando sua relação com Deus, Rosa entendia que o amor é algo que deve transbordar para os outros, uma vez que aquilo que recebemos como dom, em dom devemos transformar. Ela começou dentro de casa, onde sofreu muitas incompreensões, sobretudo de sua mãe, que não admitia sua escolha por uma vida de leiga consagrada recusando boas propostas de casamento. Rosa também foi incompreendida pela Igreja, que desconfiava de suas experiências místicas, o que fez com que ela tivesse que se explicar junto ao Tribunal da Inquisição. A santa peruana via nesses episódios oportunidades de exercitar sua fidelidade a Cristo e a misericórdia ao suportar pacientemente tais incompreensões.
Mas, talvez possamos afirmar que o grande testemunho de Santa Rosa a respeito da misericórdia tenha sido sua atuação junto aos pobres e enfermos, principalmente índios e negros. “Como Rosa ama Jesus Cristo, o desprezado, o homem das dores, aquele que se fez pobre por nós, ama todos os pobres, que são os seus irmãos mais próximos”, vivia uma “solidariedade com todos os pobres e doentes que nasce da solidariedade com Jesus Cristo padecente” (Cardeal J. Ratzinger). Ela compreendeu em seu coração a “moral da história” do bom samaritano que Jesus deixa entrever no final da narrativa: “vai e faze o mesmo” (Lc 10,37). Rosa se fez próxima daqueles que a sociedade limenha de sua época deixava moribundos às margens do caminho. Estava convicta de que tudo quanto fosse feito a esses pequenos, era ao próprio Jesus que fazia (cf. Mt 25,40), ela mesmo nos atesta: “quando servimos aos pobres e doentes, servimos a Jesus. Não nos devemos cansar de ajudar o próximo, porque neles é a Jesus que servimos”.
Santa Rosa de Lima soube colocar em prática o Evangelho de Jesus Cristo, e seu testemunho é um entre os incontáveis testemunhos de pessoas que ouviram a voz do Senhor e foram, cada qual em seu contexto, misericordiosos como o Pai. Sua história, configurada a Jesus, deve nos ajudar a configurar também a nossa ao projeto do Reino de Deus, aquele cujos bem-aventurados serão os misericordiosos (cf. Mt 5,7). Deste modo, também nós podemos exercitar a misericórdia diante das incompreensões que sofremos e mais ainda junto àqueles que sofrem ao nosso redor. A misericórdia é uma urgência para o nosso tempo! No limiar da comemoração do 4º Centenário da morte de Santa Rosa (1617-2017), que nós, cristãos latino-americanos, possamos aprender desta mulher o verdadeiro significado do seguimento a Jesus. “Deixemo-nos surpreender por Deus!” (Papa Francisco).
Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina, rogai por nós!
Diácono Éverton Machado dos Santos
Cooperador da Paróquia São Dimas

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